Livros

Como alguém se torna psicanalista?

A correspondência entre uma jovem – cujo saber ainda não sabido se volta para questões decisivas a respeito de como alguém se torna psicanalista – e seu interlocutor, formado no contexto da clínica e do ensino de Jacques Lacan – e de que o nome atesta, por homofonia, o insabido nos equívocos da fala -, é o palco onde se desenrola este convite de Jacques Nassif às sutilezas de uma leitura que se enriquece, sobretudo, da compreensão do que se esboça nas entrelinhas e não do que se consegue decifrar no escrito.

Tayara B. Tomio Publicado em 20/11/2020

A correspondência entre uma jovem – cujo saber ainda não sabido se volta para questões decisivas a respeito de como alguém se torna psicanalista – e seu interlocutor, formado no contexto da clínica e do ensino de Jacques Lacan – e de que o nome atesta, por homofonia, o insabido nos equívocos da fala -, é o palco onde se desenrola este convite de Jacques Nassif às sutilezas de uma leitura que se enriquece, sobretudo, da compreensão do que se esboça nas entrelinhas e não do que se consegue decifrar no escrito. Tendo como pano de fundo a redefinição do ofício de psicanalista ocorrida na Europa nas últimas décadas com base no que a legislação a respeito das psicoterapias passou a prever – e não na análise leiga, no sentido em que Freud a entendia -, as cartas aqui reunidas permitem vislumbrar não apenas que da clínica de um mesmo psicanalista pode decorrer tanto o melhor quanto o pior, mas também que todos os critérios sobre o fim (mas não os fins) de um tratamento psicanalítico que já foram definidos pelos próprios analistas tem como única utilidade revelar sua inconsistência. Numa experiência que se revelará psicanalítica, trata-se sempre de inventar uma solução para um problema jamais verdadeiramente estabelecido por aquele que sofre de seu sintoma. Em seu decorrer, a constatação de que não havia meios de resolver esse sofrimento se torna o recurso pelo qual o analisando fará sua queixa aflorar, abrindo-se à possibilidade de reorientar sua existência no mundo. Ao abrir mão da genealogia de um eventual saber previamente estabelecido, cuja forma corpórea se apresenta em quem o escuta, aprenderá com as próprias vísceras que alguém só se torna psicanalista, valendo-se da travessia de um padecimento pelo qual se deixa de ensinar.

Vamos participar dos Grupos de Estudos?
A ideia é oferecer um espaço de troca e produção de saber para iniciantes na prática clínica psicanalítica.

CONHEÇA OS GRUPOS DE ESTUDOS

VER GRUPOS DISPONÍVEIS
Veja mais

O que Lacan dizia das mulheres

Com um olhar penetrante, Colette Soler mistura teoria com especialidade clínica. Ela explica de forma sedutora o que Lacan pensou sobre a controversa questão de diferença sexual.

Publicado em 29/06/2020

O dia em que Lacan me adotou

Este texto é o relato, quase o romance de uma experiência que transformou radicalmente a vida de seu autor. Em 1969, sendo então engenheiro agrônomo, Gérald Haddad encontra Jacques Lacan e começa com ele uma psicanálise. Essa aventura vai durar onze anos ao longo dos quais se terá operado uma metamorfose. Pela primeira vez, desde Freud, um psicanalista arrisca contar sua própria análise. Ele nos dá aqui um testemunho único sobre a prática tão controvertida de Lacan, ao qual no entanto o autor presta homenagem.

Publicado em 22/02/2021