Alguns psicólogos acreditam que não exista terapia no mundo que funcione se o paciente não tiver um real desejo de mudança. Bom, para a psicanálise o buraco é bem mais embaixo.
Da perspectiva lacaniana (base para meus textos), o analista não pode confiar no discurso de melhora por parte do sujeito. Nem nos discursos iniciais “quero taaaanto mudar” e nem naqueles milagres que acontecem depois de três sessões (não estou falando aqui dos efeitos terapêuticos ... esses podem existir). Para os que estão começando a clínica agora, é importante lembrar que o sujeito investe muito na manutenção dos sintomas, e por mais que afirme que quer se livrar deles, o empenho é em justamente não desestabilizar as coisas!
Mas como pode não querer abrir mão daquilo que faz sofrer? Ora, isso é o sintoma: proporcionar algum tipo de satisfação, mesma que não seja óbvia aos olhos (e ouvidos!).
Ele disse que queria mudanças, mas desistiu da terapia
Alguns psicólogos acreditam que não exista terapia no mundo que funcione se o paciente não tiver um real desejo de mudança. Bom, para a psicanálise o buraco é bem mais embaixo.
Tayara B. Tomio
Publicado em 07/06/2020
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Sobre saber não saber
Quando pensamos em psicanálise uma das coisas que vem a cabeça é sobre o não saber. Aqui eu sempre associo com algumas coisas: sujeito suposto saber, sobre lidar com o não todo saber e principalmente que é preciso saber não saber.
Sobre a montagem perversa
Em 1963, Hannah Arendt publicou a obra Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. O que ela pretendia que fosse uma mera exposição do julgamento do nazista Adolf K. Eichmann em Jerusalém, converteu-se em uma imensa controvérsia política e moral, a qual acabou por definir a produção filosófica da autora até sua morte, em 1975.