Cheguei ressentida na análise. Algo sobre o qual já havia falado muitas vezes, e aparentemente compreendido, acontecera novamente. E novamente me incomodava. A analista questiona então o porque da chateação. Se eu estou afirmando que já havia falado sobre aquilo e compreendido os motivos da pessoa, porque voltava a me magoar. Não sei respondi. É comum esbarrar nesses “não sei”.
Senti que meu tom de voz foi mais alto que o normal nessa sessão. “Eu sei o que venho fazer aqui, sei sobre o meu limite e que me posicionar de forma diferente não necessariamente muda o que o outro vai fazer”. E ela volta a me questionar por que então estou magoada.
Dei voltas. Falei novamente do porque acreditava que ela fazia o que fazia, como eu me sentia, desde quando acontecia. E continuei dando mais voltas. Falei sobre os limites de cada um, a forma como enxergamos as situações, o que era bom nisso, o que era ruim. Falei sobre a parte que me cabia na situação, minha postura, minha culpa.
Então uma cena passa pela minha cabeça, e eu me permito falar dela mesmo sem perceber a conexão. Era sobre uma decisão que tomei e que estava magoando uma pessoa (a mesma por sinal, da qual eu reclamava).
Duas pessoas, duas decisões tomadas. Ambas acreditam que estão fazendo o melhor. “É ... também levo minha vida e tomo decisões que nem sempre a agradam”, afirmei.
Quantas voltas foi preciso dar? Quantas vezes foi preciso falar sobre o mesmo assunto? Não há atalhos em uma análise. É preciso agarrar o touro pelos chifres.
É preciso agarrar o touro pelos chifres
Cheguei ressentida na análise. Algo sobre o qual já havia falado muitas vezes, e aparentemente compreendido, acontecera novamente. E novamente me incomodava. A analista questiona então o porque da chateação. Se eu estou afirmando que já havia falado sobre aquilo e compreendido os motivos da pessoa, porque voltava a me magoar. Não sei respondi. É comum esbarrar nesses “não sei”.
Tayara B. Tomio
Publicado em 27/01/2021
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