“Como você aguenta escutar histórias tristes o dia todo?” Talvez porque essa não seja a forma como eu escuto as histórias. Não estou dizendo que não sejam histórias que comovem, mas com o passar dos anos na clínica não me parece que seja isso que está em jogo (e já peço desculpas, pois acho que será difícil me explicar).
Cada sujeito que procura ajuda merece ser escutado. E merece ser escutado com toda minha dedicação: sem julgamentos, sem menosprezo, sem achar que aquilo é pouco (porque muitas vezes o próprio sujeito justifica que aquilo é bobo).
E então histórias são contadas, fatos, verdades, fantasias, segredos. Às vezes “vomitados” em uma primeira entrevista, às vezes depois de inúmeras sessões. E uma das coisas que fica pra mim, e que torna suportável essa escuta, é a aposta nesse sujeito e a possibilidade de oferecer esse espaço.
Todos os dias eu faço uma aposta que eles conseguirão falar mais, conseguirão associar, que dão conta de se escutar e que eles irão voltar. Também de minha parte eu ofereço esse espaço: desde o espaço físico da clínica pensando com carinho, até essa escuta atenta.
Então acredito que seja por isso que dia após dia estou aqui. Alguém também me oferece esse espaço e essa escuta, e eu sei o apreço que tenho por isso. E vocês? Como suportam?
Sobre suportar escutar o sofrimento
“Como você aguenta escutar histórias tristes o dia todo?” Talvez porque essa não seja a forma como eu escuto as histórias. Não estou dizendo que não sejam histórias que comovem, mas com o passar dos anos na clínica não me parece que seja isso que está em jogo (e já peço desculpas, pois acho que será difícil me explicar).
Tayara B. Tomio
Publicado em 01/12/2020
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